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Gestão de passivo empresarial

  • Foto do escritor: Rocha & Silva Advocacia
    Rocha & Silva Advocacia
  • há 8 horas
  • 3 min de leitura

Saiba como identificar uma situação de endividamento empresarial e entenda as melhores soluções.


empresa sem caixa mesmo faturando

É comum o empresário perceber que a empresa continua faturando, possui clientes e mantém operação ativa — mas o caixa nunca melhora.

 

A sensação recorrente é: “trabalho muito, mas o resultado financeiro não aparece”.

 

Na maioria das vezes, isso não decorre de baixa performance operacional, e sim de um passivo financeiro mal estruturado, normalmente vinculado a contratos bancários sucessivamente renegociados.

 

Quando o passivo empresarial se torna impagável?

 

O ciclo costuma seguir um padrão previsível:

 

1. Contratação de crédito para capital de giro ou reorganização financeira

2. Incidência de encargos elevados e pouca transparência contratual

3. Renegociação com alongamento de prazo

4. Redução momentânea da parcela, mas aumento do saldo devedor

5. Nova operação para quitação da anterior

 

Forma-se, então, um endividamento rotativo permanente, no qual o fluxo financeiro da empresa passa a atender prioritariamente ao sistema financeiro, e não à atividade empresarial.

 

Nesse estágio, a empresa não está necessariamente inviável — ela está financeiramente drenada.

 

Quais são os indicadores de desequilíbrio financeiro estrutural?

 

Alguns sinais demonstram que o problema deixou de ser conjuntural:

 

  • Faturamento suficiente, mas incapacidade de formação de caixa

  • Uso contínuo de crédito para despesas operacionais

  • Dívida que não reduz mesmo com pagamentos regulares

  • Dependência de limites bancários para manter a atividade

  • Exigência crescente de garantias pessoais

  • Notificações de cobrança ou risco de execução


Quando 2 (dois) ou mais desses fatores aparecem de forma simultânea, o problema deixa de ser apenas financeiro e passa a ser contratual e estratégico.

 

O que é, na prática, a reestruturação financeira ou gestão de passivo empresarial?

 

A reestruturação financeira ou gestão de passivo não consiste apenas em negociar parcelas. Trata-se de um procedimento técnico-jurídico composto por três etapas principais:

 

1) Diagnóstico do passivo

 

Análise detalhada dos contratos e evolução da dívida para apurar: (i) os encargos cobrados; (ii) capitalização de juros; (iii) tarifas incorporadas; e (IV) impacto real no fluxo de caixa.


2) Revisão jurídica

 

Verificação de desequilíbrios contratuais e cobranças potencialmente abusivas, capazes de alterar o valor exigível ou a base de negociação.

 

3) Renegociação estratégica

 

Readequação das obrigações à capacidade econômica da empresa, com foco na redução efetiva do passivo — e não apenas no alongamento do prazo.

 

O objetivo é restabelecer a função do crédito como instrumento de financiamento, e não como fator permanente de descapitalização.

 

Quais são os riscos da inércia diante do endividamento empresarial?

 

A manutenção do modelo atual de endividamento tende a gerar:

 

  • Crescimento exponencial do saldo devedor

  • Execuções judiciais

  • Bloqueios financeiros

  • Consolidação de garantias

  • Responsabilização patrimonial dos sócios


Ou seja, um problema inicialmente financeiro passa a assumir natureza jurídica relevante.

 

O papel do suporte jurídico

 

A atuação jurídica altera a dinâmica da negociação porque introduz critérios técnicos na discussão:

 

  • identificação de irregularidades contratuais

  • reequilíbrio das condições de pagamento

  • prevenção de garantias excessivas

  • redução do risco de constrição patrimonial


Sem essa intervenção, a negociação tende a ocorrer em condição de assimetria técnica entre empresa e instituição financeira.

 

Conclusão

 

Nem todo endividamento indica inviabilidade empresarial. Muitas vezes ele revela apenas uma estrutura de crédito incompatível com a capacidade econômica do negócio.

 

A reestruturação financeira permite reorganizar o passivo, restaurar previsibilidade ao fluxo de caixa e preservar a atividade empresarial, especialmente quando adotada antes do agravamento judicial do cenário.

 

Agir precocemente não significa reconhecer fracasso, mas sim adotar gestão financeira estratégica baseada em critérios jurídicos e econômicos.



 
 
 

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